Copom corta Selic pela 5ª vez seguida, para 13,75%: o que muda pro crédito imobiliário
O Copom manteve o ritmo de cortes que já vinha adotando desde o início do ano, e a próxima decisão só sai depois das eleições de outubro.
Sua imobiliária já está de olho nesse cenário?
Se você chegou até este artigo, provavelmente está em uma destas situações:
- quer entender o que o corte de setembro muda, na prática, pro financiamento dos seus clientes;
- não sabe por que as taxas dos bancos continuam bem abaixo da Selic, mesmo com os cortes;
- está de olho na Abecip pra saber se a projeção de crescimento do crédito imobiliário segue de pé;
- quer explicar pro cliente por que a próxima decisão do Copom só sai depois da eleição;
- busca dado atualizado pra embasar uma conversa comercial sobre o momento de financiar.
Se alguma dessas situações parece familiar, este artigo foi escrito para você.

O resultado oficial de setembro
O Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano na reunião de 16 de setembro de 2026, quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, em decisão unânime, segundo apuração da Forbes. Com essa sequência, a Selic acumula queda de 1,25 ponto percentual desde o início do ciclo de cortes.
A decisão brasileira aconteceu no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, primeira alta americana desde 2023. Ou seja, Brasil e Estados Unidos caminharam em direções opostas na mesma quarta-feira, segundo a mesma reportagem da Forbes.
Ao justificar o corte, o Copom não se comprometeu com uma nova redução na próxima reunião. Segundo o comunicado oficial, citado pela Forbes, a extensão total do ciclo de ajuste da taxa ainda depende de novas informações econômicas.
O resultado veio dentro do esperado: a pesquisa Focus, do Banco Central, já projetava esse patamar como mediana de mercado para o fim de 2026, segundo a Gazeta Mercantil. Nos contratos de opções de Copom negociados na B3, a probabilidade de novo corte de 0,25 ponto chegava a cerca de 57% na véspera da decisão.
Por que a pausa até novembro tem peso
A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de novembro, depois das eleições presidenciais, segundo a Gazeta Mercantil. O Banco Central não antecipou qual será o próximo movimento. Carlos Lopes, economista do banco BV, cita a reação do mercado ao resultado da eleição como um dos elementos que pode alterar o espaço para novos cortes. Segundo o analista, em entrevista à Forbes, uma leitura de mercado mais favorável ao resultado eleitoral “pode abrir mais espaço para a continuidade do ciclo de corte de juros”.
Na prática, isso significa um intervalo mais longo do que o normal entre duas decisões, com o mercado operando sob a taxa atual até lá. Segundo a mesma reportagem, a leitura de parte do mercado é que esse pode ter sido o último corte “por enquanto”, embora o cenário siga em aberto.
O que isso significa pro crédito imobiliário
O financiamento habitacional não anda em sincronia perfeita com a Selic, já que boa parte do crédito vem de fontes como poupança (SBPE) e FGTS, não diretamente do CDI. O cenário de setembro confirma esse padrão: mesmo com a Selic ainda em patamar elevado, as taxas de financiamento imobiliário seguem operando na faixa de 11% a 12% ao ano na maioria dos bancos, segundo o guia de financiamento da LARYA, correspondente bancário especializado em crédito imobiliário.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) segue sustentando a projeção de crescimento de 16% no volume de financiamento imobiliário concedido em 2026, meta definida em janeiro e ainda não revisada pela entidade, segundo apuração do Portas. A manutenção dessa projeção reforça que, até aqui, nem o patamar da Selic nem o cenário eleitoral mudaram a expectativa da associação para o ano.
O que sua imobiliária pode fazer com esse cenário
Use a estabilidade até novembro como argumento de previsibilidade
Um intervalo mais longo sem mudança na Selic dá ao cliente uma janela mais previsível para planejar financiamento, sem o risco de uma nova decisão surpreender no meio da negociação.
Não prometa queda automática de taxa após a eleição
O próprio mercado não tem certeza sobre a direção do próximo movimento do Copom. Evite criar expectativa de queda garantida de taxa para o cliente que está pensando em esperar até novembro.
Mantenha simulação de financiamento atualizada com os bancos parceiros
Como as taxas já operam numa faixa bem mais baixa que a Selic, vale conferir com frequência as condições reais oferecidas pelos bancos parceiros, em vez de presumir que a taxa segue automaticamente o movimento do Copom.
Um sistema de gestão imobiliária que acompanha o histórico de cada negociação vinculada a financiamento ajuda sua equipe a retomar contato no momento certo, sem depender da memória de quem atendeu originalmente.
Perguntas frequentes
A Selic vai continuar caindo até o fim do ano?
Não há garantia. A próxima decisão do Copom só sai em novembro, depois das eleições, e o próprio Banco Central não sinalizou compromisso com uma trajetória definida de novos cortes.
Por que as taxas de financiamento não caem na mesma proporção da Selic?
Grande parte do crédito habitacional vem de fontes como poupança e FGTS, que não acompanham o CDI de perto. Por isso, as taxas de financiamento já operam numa faixa mais baixa que a Selic, e tendem a reagir de forma mais lenta e gradual às mudanças da taxa básica.
Vale a pena o cliente esperar até depois da eleição para financiar?
Depende do objetivo. Como não há garantia de queda de taxa após a eleição, esperar pode significar apenas adiar a decisão sem ganho concreto, especialmente se o imóvel de interesse também estiver sujeito a variação de preço nesse período.
Conclusão
O quinto corte consecutivo da Selic confirma a continuidade do ciclo iniciado no início do ano, mas a decisão mais importante para o mercado agora é o que vem depois: um intervalo mais longo até novembro, com o resultado das eleições no meio do caminho. Para o crédito imobiliário, o padrão já conhecido se mantém, taxas de financiamento mais estáveis que a Selic, com a Abecip sustentando a projeção de crescimento de 16% no ano.
Nosso sistema de gestão imobiliária ajuda sua equipe a acompanhar cada negociação até o fechamento, mesmo quando a decisão do cliente depende de acompanhar o cenário de juros por mais alguns meses.
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